Os baixos níveis de testosterona depois do câncer testicular

Estudo apresentado em reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) mostra que um número significante de sobreviventes de câncer testicular apresenta baixos níveis de testosterona. A pesquisa mostra também que os baixos níveis de testosterona depois do câncer testicular aumentam as chances de alguns males.

O câncer testicular

O câncer nos testículos geralmente ocorre em uma idade onde os homens ainda são jovens e é altamente curável. Grande parte dos sobreviventes consegue viver por mais cinco décadas mesmo depois de passar por este câncer.

Entre 20 casos de câncer testicular, praticamente 19 são curados, mas os baixos níveis de testosterona dos sobreviventes é um fato preocupante.

É preocupante justamente pois a testosterona é um hormônio importantíssimo, os baixos níveis podem trazer muitos problemas de saúde.

A pesquisa

Pesquisa americana mostra que o hipogonadismo (baixa de testosterona) atingiu um número significativo de sobreviventes do câncer testicular. Foram estudados cerca de 500 sobreviventes, e deles, 38% apresentaram baixos níveis de testosterona.

Tendo menos testosterona, os sobreviventes têm maiores probabilidade de desenvolver algumas complicações como diabetes, pressão alta, disfunção erétil e até ansiedade e depressão.

De acordo com os autores da pesquisa, as descobertas chamam a atenção para a necessidade de avaliar mais sobreviventes do câncer testicular. Seja para descobrir mais sinais físicos ou mesmo medir os níveis de testosterona e identificar o hipogonadismo.

Apenas começando

Mas esta pesquisa é apenas o começo de um estudo bem maior. Foram apenas os primeiros pacientes de uma amostra que envolve 1600 sobreviventes. O projeto chama-se Platinum Study e pretende ser o maior estudo de sobreviventes de câncer testicular em todo o mundo.

A idade média dos sobreviventes participantes é de 38 anos. O objetivo deste projeto é acompanhar a saúde ao longo da vida de homens que receberam quimioterapia para câncer testicular. Coletando informações através de questionários e amostras de sangue, identificando pressão, audição e danos nervosos.

Os motivos

Logicamente que a baixa da testosterona já pode se fazer presente no momento de um diagnóstico de câncer testicular. Ou então pode se desenvolver como um efeito colateral da cirurgia ou quimioterapia. Este é um dos primeiros estudos a examinar a relação das baixas de testosterona dos sobreviventes com complicações de saúde a longo prazo em pacientes norte-americanos.

Mais conclusões

Além de que 38% dos sobreviventes possuem baixo nível de testosterona, outras informações interessantes foram levantadas, por exemplo a obesidade. O excesso de peso foi associado à chance de ter baixa testosterona.

Em comparação com sobreviventes com testosterona normal, sobreviventes de câncer testicular com baixa testosterona foram mais propensos a tomar remédios para alguns males. Entre eles destacam-se colesterol alto, disfunção erétil, diabetes, pressão arterial e ansiedade e depressão.

O quadro abaixo mostra as porcentagens de sobreviventes participantes do estudo, que precisaram tomar remédio para certos males, de acordo com seus níveis de testosterona.

Sobreviventes com baixo nível de testosterona Sobreviventes com níveis normais de testosterona
Diabetes 6% 3%
Colesterol alto 20% 6%
Pressão arterial elevada 19% 11%
Disfunção erétil 20% 12%
Ansiedade ou depressão 15% 10%

 

O futuro

Vale lembrar que alguns destes pacientes podem ter níveis de testosterona baixos mesmo antes do câncer testicular, por isso os estudos devem prosseguir até que se tenha mais informação.

A previsão é de continuar acompanhando o grupo e ampliar a análise para todos os 1600 sobreviventes participantes do projeto. Os planos para o futuro incluem separar em grupos distintos, aqueles que foram curados apenas com cirurgia, e os outros que também utilizaram quimioterapia. Acredita-se que assim será possível conseguir mais informações sobre os níveis de testosterona nos sobreviventes do câncer testicular.

Fonte: ASCO, American Society of Clinical Oncology

Este estudo foi fundado pelo National Institutes of Health, USA. Acompanhe o artigo completo acessando o link aqui.

 

Até a próxima,

Dra. Alessandra Morelle