Rastreamento do câncer no colo do útero é para todas as idades

Rastreamento do câncer no colo do útero é para todas as idades

Rastreamento do câncer no colo do útero é para todas as idades

Já falamos por aqui sobre câncer no colo do útero, você pode conferir no artigo Sinais de câncer no colo do útero.

Hoje falaremos sobre um assunto diferente, porém não menos importante: o rastreamento do câncer do colo do útero.

Atualmente o foco do rastreamento está, principalmente, nas mulheres jovens. É aconselhado que o rastreio seja feito até os 64 anos, contudo novas pesquisas indicam a importância do rastreio nas mulheres de faixa etária acima dessa idade.

Para entender, continue a leitura!

Porém, em primeiro lugar, vamos relembrar o panorama geral do câncer no colo do útero?

O cenário atual do câncer no colo do útero

Tanto a incidência como a mortalidade por essa neoplasia foram reduzidas significadamente nos últimos anos. Isso ocorreu graças aos programas organizados de rastreamento de base populacional.

Ademais, especialmente, graças ao exame citopatológico do colo do útero, também conhecido popularmente como Papanicolau.

O fato é que a incidência desta neoplasia nos países em desenvolvimento é cerca de 5 vezes maior do que em países mais ricos. Isso se deve às pacientes nunca terem realizado o exame de Papanicolau.

Cabe lembrar que a prevenção deste câncer está na detecção precoce e a vacinação contra o HPV.

O vírus do HPV (papilomavírus humano) é muito frequente e apresenta pequenas lesões que muitas vezes desaparecem naturalmente. Porém, caso não identificadas e tratadas devidamente, podem progredir para um câncer no colo do útero.

O HPV pode causar outros tipos de câncer também. Te convido a saber mais sobre isso na matéria 6 tipos de câncer causados pelo HPV

Atualmente recomenda-se o início do rastreamento aos 21 anos de idade na maioria dos países, com citologia oncótica cérvico-vaginal, continuando a cada 3 anos. Ou, também, um co-teste (citologia associado ao teste DNA-HPV por captura híbrida) a cada 5 anos.

Essa última estratégia, normalmente, é aplicada em mulheres com mais de 30 anos.

Segundo as diretrizes para o rastreamento do câncer no colo do útero do ano de 2016 (no final da matéria você encontrará o link desse material para consulta!), no Brasil, as mulheres têm realizado o exame Papanicolau de forma oportunista, ou seja, quando procuram os serviços de saúde por outros motivos que não sejam o rastreio de câncer.

Consequentemente, 20% a 25% dos exames têm sido feitos fora do grupo etário recomendado. Além disso, aproximadamente metade deles com intervalo de um ano ou menos, quando o recomendado são 3 anos.

Isso significa que há um grupo de mulheres “super rastreadas” e, enquanto isso, outro grupo sem qualquer exame de rastreamento.

O rastreamento normalmente é recomendado até os 64 anos. Após os 65 anos, acreditava-se que, se a mulher tivesse feito os exames regularmente, com resultados normais, o risco de desenvolvimento do câncer cervical seria reduzido dada a sua lenta evolução.

Porém, parece que essas diretrizes precisam ser atualizadas. E é sobre isso que vamos falar agora:

Novo estudo afirma que o rastreamento deve continuar após os 65 anos

O estudo em questão foi realizado pela pesquisadora chefe Dra. Sarah Dilley, da Universidade do Alabama em Birmingham.

A doutora considerou o estudo como relevante ao perceber que muitas pacientes que entravam na clínica de oncologia eram mulheres com mais de 65 anos.

Intrigada, seguiu o estudo e percebeu que 19,7% dos casos de câncer no colo do útero foram diagnosticados em mulheres com 65 anos ou mais, no período de 2000 à 2014.

Além disso, utilizando o National Cancer Database (Banco de dados nacionais dos EUA) a doutora investigou as taxas de câncer do colo do útero com base na idade e, finalmente, descobriu que 18,9% dos casos diagnosticados entre 2004 e 2014 eram em mulheres com mais de 65 anos.

Isso significa que nos EUA, uma a cada cinco mulheres com diagnóstico de câncer no colo do útero tem mais de 65 anos. Portanto, isso vai contra tudo que as diretrizes anteriores mencionavam.

As taxas reais de diagnóstico talvez estejam contradizendo o parecer errôneo de que apenas mulheres mais jovens são diagnosticadas com câncer no colo do útero.

Isso se tornou mais evidente quando os dados analisados foram comparados com outras estatísticas:

Em primeiro lugar, apenas 5,1% dos casos de câncer no colo do útero foram diagnosticados em mulheres de 20 a 29 anos. Enquanto isso, 8% dos diagnósticos relataram a neoplasia em mulheres entre 70 e 79 anos.

Nossos dados sugerem que uma proporção considerável de mulheres é diagnosticada com câncer de colo do útero depois dos 65 anos, o que sugere que os pacientes estão sendo eliminados muito cedo ou não são examinadas, afirmou Dilley.

A pesquisa nos traz a reflexão de que não há limite de idade para conhecer nosso próprio corpo e investigar possíveis problemas. Também podemos repensar quais são os hábitos de vida que estão levando mulheres mais velhas ao diagnóstico de câncer de colo no útero.

Para a pesquisadora, os dados sugerem que as pacientes estão sendo retiradas dos rastreamentos muito cedo, ou não estão sendo rastreadas. 

Outro ponto é que, provavelmente, muitas mulheres diagnosticadas com câncer no colo do útero foram examinadas. Porém, podem ter recebido o diagnóstico incorreto inicialmente.

Sejamos mais atentas! Converse com seu médico e, se você não está realizando o rastreamento regularmente, opte por transformar esse hábito. Se você é uma mulher com mais de 65 anos, não deixe de realizar os exames também.

Espero que cada vez mais estudos como esse possibilitem mudanças e, sobretudo, melhorias na saúde de nossa população!

Até a próxima,

Alessandra Morelle.

Veja as matérias que embasaram este artigo: