Mutações Genéticas e o Câncer

Pesquisa mostrou que as mutações genéticas que podem levar ao câncer são geralmente erros do DNA que acontecem aleatoriamente. Este fato reforça a importância do diagnóstico precoce. Vamos entender um pouco mais sobre o que liga as mutações genéticas e o câncer.

 

As causas do câncer

Certamente você já ouviu falar em pessoas saudáveis que acabam desenvolvendo câncer, não é mesmo? Pois estas dúvidas também afetam os profissionais, que resolveram analisar casos e buscar respostas para isso.

Uma pesquisa americana analisou geneticamente 32 tipos de tumores e foi detectada uma força da aleatoriedade no processo. Foi descoberto que, em muitos casos, os erros que acontecem na replicação do DNA podem sem mais ligados ao surgimento do câncer do que outros fatores como hereditariedade ou força do ambiente.

 

Entendendo melhor a pesquisa

As mutações genéticas que podem levar ao desenvolvimento do câncer são as hereditárias, ambientais e as aleatórias. A pesquisa foi motivada pelo fato de que o grupo das mutações genéticas aleatórias ainda não tinha sido investigado a fundo pela ciência.

De acordo com o professor Cristian Tomasetti, é provado que fatores ambientais, como o tabagismo, podem aumentar ou diminuir o risco de desenvolver câncer. Mas não se sabia muito sobre o quanto os erros de replicação do DNA poderiam estar ligados ao câncer. A opinião do pesquisador é que estes erros “são uma fonte potente de mutações de câncer que foram cientificamente subvalorizados”.

 

Os resultados

O resultado obtido mostra que 66% das mutações que causaram os tumores analisados são aleatórias, enquanto apenas 29% são mutações ligadas ao ambiente ou estilo de vida, e apenas 5% estão ligadas a hereditariedade.“Erros de DNA aleatórios e imprevisíveis são responsáveis por quase dois terços das mutações nos cânceres”, ressalta Tomasetti.

Para chegar nestas conclusões, foram analisados 32 tipos de câncer, levando em consideração a sequência do genoma e seus dados epidemiológicos. Estes dados vieram de pacientes de 69 países diferentes, num total de aproximadamente 4,8 bilhões de pessoas analisadas.

A pesquisa também conseguiu mostrar a fatia de participação dos tipos de mutações no surgimento de tumores considerados malignos. No câncer de pâncreas, 77% das mutações são aleatórias, 18% ambientais e 5% hereditários. No caso do câncer de próstata, cérebro e ossos, 95% das mutações foram detectadas como aleatórias.

O resultado mais curioso é do câncer de pulmão, justamente pelo hábito de fumar. Neste, 68% das mutações são ligadas a fatores ambientais (tabagismo), enquanto 35% provém de fatores aleatórios.

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A repercussão

Importantes pesquisadores brasileiros comemoram que desta vez a equipe tenha considerado dados de tantos países, pois as pesquisas anteriores receberam críticas por contarem apenas com dados da população americana. O diretor do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, Bernardo Garicochea salienta que para desenvolver o tumor, as mutações precisam estar presentes, e o grupo buscou saber qual a proporção de cada tipo de mutação.

 

Os aspectos negativos

A grande preocupação que cerca o resultado desta pesquisa é a impossibilidade de evitar estas mutações aleatórias no DNA. Bernardo explica que estas mutações ocorrem porque o corpo precisa delas para se manter geneticamente estável. Grande parte delas ocorre sem alterações significativas, mas, como visto na pesquisa, algumas podem atingir os genes e causar danos.

As nossas células estão sempre se regenerando, e o corpo produz novas células muitas vezes durante a vida de uma pessoa. O DNA precisa ser copiado a cada vez que uma célula se divide para gerar a outra, e cada vez que isso acontece, ocorrem em média 3 erros aleatórios.

Infelizmente é por isso que pessoas saudáveis e que parecem ter tudo perfeito podem sim desenvolver um câncer. Bert Vogelstein, pesquisador no Johns Hopkins Kimmel Cancer Center ressalta:

Muitas pessoas desenvolverão o câncer, não importa o quão perfeito é o comportamento delas. A doença pode ocorrer por causa dessas cópias aleatórias do DNA. Essas pessoas não devem se sentir culpadas, não existe nada que elas poderiam ter feito para evitá-lo.

Fonte: Correio Braziliense