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“Amor, cuidado e acolhimento são remédios fundamentais na abordagem paliativa”, o médico paliativista e geriatra André Junqueira introduz a ideia central da medicina paliativa moderna de forma sensível e expandida. Ao contrário do conceito inicialmente difundido, os cuidados paliativos não estão somente presentes em diagnósticos irreversíveis, são também imprescindíveis para qualquer paciente com doença que ameace a sobrevivência, promovendo qualidade de vida por meio de prevenção e alívio da dor e do sofrimento.

Segundo a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), a humanização no tratamento está na maneira como a equipe avalia e aplica o plano terapêutico nos campos emocional, físico, social e até mesmo espiritual, propondo uma harmonia entre áreas para que o paciente se sinta bem e tenha um aumento da longevidade. “Se esse tipo de cuidado chega cedo, a pessoa pode viver até décadas com mais conforto”, explica Junqueira, também presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP).

Diversos profissionais da saúde participam deste ambiente colaborativo de cuidados ao paciente, estabelecendo terapias integradas. Cada membro da equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, farmacêuticos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, nutricionistas, educadores físicos e assistentes espirituais, exerce função de extrema importância e deve trabalhar na busca de melhorias no dia a dia do paciente e de sua família. “Estes especialistas, além de tratar a doença, auxiliam para que o processo seja mais leve, ainda que não seja fácil”, afirma Tom Almeida, fundador do movimento inFINITO.

Em caso de pacientes com câncer, em especial, o adiantado ingresso no tratamento paliativo, aliado a outras medidas de prolongamento da vida, como a quimioterapia e a radioterapia, é determinante para a melhor compreensão e controle de situações clínicas estressantes. Para esses casos, é recomendado que o tratamento esteja estruturado em três eixos principais: controle de sintomas (principalmente a dor); qualidade de vida (priorizar ações que melhorarem o psicológico e o emocional); medidas de conforto e dignidade (trabalhar com os valores pessoais e influenciar positivamente o curso da vida do paciente).

Dentre as terapias mais utilizadas no modelo paliativo, elencadas pelo INCA, estão:

• Fisioterapia, para o controle da dor e dos sintomas físicos;

• Acompanhamento nutricional, para controle do enjoo, náuseas e outros sintomas;

• Assistência social e psicológica, para apoio emocional ao paciente e à família;

• Aconselhamento espiritual, para encontrar conforto em meio às incertezas;

• Grupos de apoio, para compartilhar experiências entre pacientes e oferecer alívio para os cuidadores.

• Práticas como yoga, meditação, massagem, acupuntura, aromaterapia e caminhadas também são consideradas terapias complementares.

Ter acesso aos cuidados paliativos é um direito do paciente e da sua família, pois podem ser ferramentas determinantes para além do tratamento patológico, combatendo a angústia, a insegurança e a depressão, tornando a caminhada mais amena e feliz.