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São momentos de extrema fragilidade da sociedade que despertam ações solidárias para minimizar danos coletivos. Na pandemia do novo coronavírus isso não está sendo diferente. A vulnerabilidade humana foi exposta de maneira intensa e estimulou o exercício da empatia, em que pessoas são conduzidas a se reconhecerem no lugar dos outros.

Especialistas relatam que o desenvolvimento da solidariedade aciona os sentimentos mais potentes e nobres, ampliando a resistência dos indivíduos, equiparando-os em níveis de igualdade e provocando sensação de união. “A dor e o sofrimento global despertam movimentos de mudança interior, sejam eles individuais ou coletivos”, explica a psicóloga clínica e professora da Faculdade de Ciências Médicas, pós-graduada em filosofia, Maria Clara Jost.

Também, é possível perceber que quando pessoas são estimuladas a buscar um objetivo concreto para se manterem vivas, diante de situações adversas, surge um aumento da capacidade de resiliência e um impulsionamento da força interior que as faz seguir em frente. “Nessas circunstâncias, diante da tristeza, da solidão, da angústia, da depressão, em vez de um maior fechamento e adoecimento, como seria de se esperar, pode ocorrer o contrário, quando a pessoa descobre em si a capacidade de dar uma resposta insubstituível ao chamado que a vida lhe faz. Evidencia-se a responsabilidade com todos aqueles da comunidade humana à qual pertencemos”, relata a psicóloga.

O ato de conseguir enxergar o mundo pelos olhos de outra pessoa pode ser a chave para não esmorecer, mesmo nos momentos difíceis, e para ultrapassar a pandemia com mais leveza. Segundo o Instituto de Psicologia Aplicada (Inpa), estes atos de empatia podem atingir três categorias:

1. Cognitiva: capacidade de compreender o sentimento do outro e sua forma de pensar;

2. Emocional ou afetiva: capacidade de sentir as emoções do outro;

3. Compassiva: além de compreender e sentir, esta é a capacidade de ação que possibilita a alguém ser solidário a ponto de ajudar outra pessoa.

A empatia compassiva é aquela que gera atos de serviço – tão recorrentes na quarentena – como ir ao mercado para ajudar a vizinhança, participar de aniversários online para que pessoas se sintam amadas, preferir comprar itens de pequenos comércios locais e auxiliar pessoas que vivem em vulnerabilidade social, dedicar-se a um trabalho voluntário. Quando o foco sai da dor individual e é expandido para as necessidades coletivas, é possível ressignificar sentimentos e transformar o sentido de uma vida.